• Raça espanhola ajuda pecuarista brasileiro a produzir mais carne em menos tempo

    A raça Rubia Gallega, exclusiva da região da Galícia, na Espanha, mostrou novos resultados no incremento da produção de carne de qualidade no Brasil, indicando redução de custos ao pecuarista e maior rendimento de carcaça no frigorífico.

    Pela segunda vez, desde a introdução da raça no Brasil, em 2000, foram abatidos animais ½ sangue, resultado do cruzamento industrial de Rubia Gallega com Nelore e Simbrasil. Em alguns casos, a Rubia Gallega foi usada como terceira raça em exemplares Nelore x Simental, Nelore X Red Angus e Nelore X Piemontês. O abate de 40 bovinos com genética galega foi realizado no Frigorífico Marfrig, em Promissão, interior de São Paulo, no sábado (25).
    O professor da Universidade de Santiago, especialista em produção de carne de qualidade, D. Luciano Sanchez Garcia, veio da Espanha para acompanhar o abate dos exemplares Rubia em solo brasileiro. “O rendimento de carcaça é surpreendente”, disse. Os bovinos foram abatidos com no máximo 13 meses de idade e a média geral chegou a 60,6% de rendimento. Nos animais Nelore/Rubia Gallega, a quantidade de carne produzida foi ainda mais alta: 61,3% nos machos, com exemplares que chegaram à marca de 64%.
    Para o especialista, o resultado comprova que os animais com sangue Rubia são perfeitamente adaptados ao clima brasileiro e podem ajudar o pecuarista a produzir mais carne em menos tempo, e a custos mais baixos. Uma das explicações é o resultado que a Rubia Gallega pura já proporciona na Espanha, onde animais são abatidos com no máximo dez meses de idade, exigência do consumidor europeu, produzindo carcaças com peso médio de 247 kg.
    O responsável pelo projeto Rubia Gallega no Brasil, Eduardo Grandal, solicitou às empresas parceiras, entre elas a Nutron Alimentos, um estudo econômico para demonstrar a rentabilidade da utilização da genética espanhola no rebanho brasileiro. No abate de sabado, cada animal rendeu em média 16,41 arrobas, com remuneração de R$ 984,54. Após o desmame, os bovinos foram levados a um confinamento – “boitel” -, onde permaneceram por 122 dias a um custo diário de R$ 3,40 por cabeça. Mesmo assim, o lucro líqüido ao produtor foi R$ 249,75 por animal. “Se o confinamento for na fazenda, a margem de lucro pode ser maior”, explicou Grandal.
    O segundo abate de exemplares com sangue Rubia Gallega no Brasil foi acompanhado por fiscais do Ministério da Agricultura, por produtores e empresários da indústria da carne de outras regiões, além de representantes do Governo de Santa Catarina. O secretário em exercício de Agricultura de SC, Renato Broetto, foi a Promissão em busca de novas estimativas para o projeto desenvolvido no Estado.
    O governo catarinense iniciou um programa de produção de carne de qualidade com pecuaristas de algumas regiões do Estado a partir da utilização da genética Rubia Gallega. A proposta prevê o acompanhamento de toda a cadeia produtiva para que seja lançada no mercado uma carne com IGP (Indicação Geográfica Protegida). O projeto será oficializado a 4 de novembro no município catarinense de Lages, com a presença do governador Luiz Henrique da Silveira e do diretor geral de Produção e Sanidade Agropecuária do Governo da Galícia, da Espanha, Miguel Fernandez, que chega ao Brasil nesta semana. (BeefPonit)
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