• “A posição é clara, não vamos parar de vacinar contra a aftosa”, diz dirigente uruguaio



    Em cada exposição na região, no Paraguai, em Palermo, em Esteio e em Prado (onde se fará a mudança de presidente, que assumirá o Uruguai), a Federação das Associações Rurais do Mercosul, fundada há duas décadas, reúne-se. Dessa vez, na exposição de Palermo, na Argentina, não foi diferente.
    Confira abaixo uma entrevista feita com o médico veterinário, Pablo Zerbino, presidente da Associação Rural do Uruguai (ARU), que participou da reunião:
    Como foi essa reunião em Palermo?
    Discutimos com cordialidade, mas também com firmeza quando necessário e o interessante é que quando um Conselho Agropecuário do Sul (CAS), reúne ministros do Mercosul, a Federação das Associações Rurais do Mercosul (FARM) também se reúne e tem participação muito direta. Isso é muito válido, porque deve-se impulsionar isso e dar-lhe um lugar apropriado.
    O tema sanitário volta a preocupar…
    O tema exclusivo está aí e será o ponto central para Esteio. Especialmente pela febre aftosa, sim ou não à vacinação, mas não só isso, é um plano que o Brasil criou que estará monitorando a viabilidade, mas que inclui deixar de vacinar gradualmente e por Estados. Pontualmente, o último é o Rio Grande do Sul.
    Qual a posição da FARM?
    A posição da FARM é muito clara no sentido de que, enquanto as condições não estiverem suficientemente esclarecidas, o resto dos países não vai parar de vacinar, nem Argentina, nem Paraguai e nem Uruguai. Isso está muito claro.
    É um assunto em que a participação público-privada é muito importante, porque a nível público podem-se armar as estratégias como quiserem, mas quando isso enfrenta a realidade do produtor, do empresário, que é sobre quem realmente recaem as consequências graves, como as ocorridas em 2000, 2001 e 2002, esses devem ser levados em conta. Isso pesa e precisa ser considerado.
    Mas se o Brasil já decidiu. O que farão?
    Isso está sujeito a ver o que acontecerá no Brasil. Já temos uma situação que surgiu na Colômbia, com 4 focos, ou seja, está complicado e o Brasil não vai mexer com algo que pode ser muito caro se não tiver a segurança sanitária para poder agir.
    O importante é como discutem as coisas. Discutem-se com calor, defendem-se as posições e muitas vezes têm que compreender a posição do outro para poder agir de acordo com o melhor benefício para todos.
    Pediram aos governos para que sejam escutados antes de tomar posições?
    Essa é uma das queixas, o fato de que o setor privado esteja incluído na tomada de decisões, porque não é somente projetar, elaborar, tentar chegar a certas características, mas deve ser capaz de ter acesso. E, nesse sentido, o Uruguai tem sido um exemplo muito claro.
    Trataram do acordo UE/Mercosul?
    Foi um tema muito importante. Em dezembro, será tomada uma decisão, avaliamos a necessidade do setor privado de poder estar atuando com as Chancelarias, de forma a poder impulsionar a inclusão da carne na negociação.
    O Chanceler Nin [Rodolfo Nin Novoa, Chanceler uruguaio] adiantou que sim, a carne estará incluída.
    Sim, mas há algumas versões de que seriam 78 mil toneladas; a dúvida era se seriam por ano ou a cada 10 anos, não está muito claro.
    Como se dividiriam as cotas?
    Não está claro esse tema também, nem falamos disso.
    E sobre a reunião da OMC?
    Também discutimos. Em dezembro, em Buenos Aires será a próxima reunião da OMC, com 160 países presentes. O setor agropecuário é um dos mais interessados que haja uma negociação clara, especialmente buscando liquidar os famosos subsídios contra os quais lutamos a vida inteira e que seguem em vigor.
    Novamente, vimos uma clara necessidade de que as FARMs se unam, que tenham força no momento de fazer queixas, porque isso não é pedir por pedir, é muito importante fazer com seriedade com fundamentos e pensar no benefício da região.
    A presença do setor privado através da FARM ou através de outro grupo, Grupo de Produtores do Sul (GPS), que também estão em uma política parecida, complementar à FARM, podem ser elementos que potencializam para chegar com força nesse assunto. (BeefPoint)
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