• Com indústria local comprando, pecuária gaúcha vê de longe o imbróglio da JBS no resto do Brasil


    A pecuária gaúcha assiste meio de camarote o imbróglio que a JBS armou no mercado pecuário de São Paulo para cima. Se quando os Batista pararam de comprar boi no estado para confinar em Guaiçara (SP), por volta de março, ainda antes da delação do Joesley, a pecuária local não se sentiu o tranco, agora então, sem planta alguma do grupo por lá, parece que está em outro Brasil não fosse a crise econômica que segura o consumo.
    O mercado flui com relativa tranquilidade das fazendas para as indústrias, não há necessidade de procurar compradores em outros estados – menos ainda para a JBS – e a única da trinca que quase oligopoliza o abate brasileiro, presente nos pampas, a Marfrig reabriu uma planta em Alegrete e segue comprando bem para atender a demanda chinesa, explica Gedeão Pereira, vice-presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul).
    Num mercado pecuário que corre em raia própria - mesmo quando as vendas no varejo caem, caem menos que em outros lugares dado o maior consumo per capita nacional -, até a sazonalidade é outra. Enquanto falta boi no Sudeste e Centro-Oeste – mas com a JBS parando ou devagar, contaminando a concorrência, os ganhos da @ podem se perder - , no Rio Grande do Sul esta é uma época de oferta maior, ainda que não tão acesa quanto se esperava mas que deve se animar em mais umas duas semanas.
    “Verdade, os preços estão mais frouxos por conta do momento de mais animais terminados”, admite Pereira, que, no entanto, lembra do favorecimento para escoar mais carne no varejo e evitar uma crise maior nas indústrias.
    O boi gordo entrou a semana entre R$9,60 e R$10,20/kg de carcaça, para descontar. A vaca na faixa de R$9,30 e R$9,80. Nos últimos 30 dias, houve queda de 11,2%, considerado tradicional nesta época do ano na região.
    O pecuarista, vice da Farsul, afirma também que o susto com (primeiro) a Operação Carne Franca e depois a com delação do Joesley Batista, sobre a imagem do setor no exterior, foi superada, importante para um mercado exportador de carne nobre. Principalmente porque após alguns anos de crise na pecuária gaúcha, com redução de cabeças, nos últimos dois anos o rebanho está estabilizado em 13 milhões de cabeças. 

    Por: Giovanni Lorenzon
    Fonte: Notícias Agrícolas
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