• EXPEDIÇÃO NO AMAZONAS COLETA QUASE MIL MOSQUITOS PARA PESQUISAS



    Dengue, zika, chikungunya e febre amarela são algumas das doenças causadas por arbovírus, palavra que vem da expressão arthropod borne virus (vírus nascidos em artrópodes – como os mosquitos, principalmente). Mas a grande maioria das pessoas não imagina o quanto é trabalhoso coletar esses insetos, identificá-los e verificar se eles carregam ou não micro-organismos que podem causar doenças em animais ou seres humanos. Uma expedição liderada pela USP em comunidades ribeirinhas do Rio Madeira na região de Humaitá, no Amazonas, está contribuindo para ampliar o conhecimento sobre os artrópodes da região amazônica: os pesquisadores coletaram 951 mosquitos para estudos do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP.

    “Somente na região amazônica existem mais de 300 espécies de arbovírus diferentes, mas o número deve ser muito maior. Nem todos afetam os seres humanos, alguns atingem apenas animais silvestres ou primatas não humanos. Por isso, conhecer a região é essencial”, destaca o professor Luís Marcelo Aranha Camargo, coordenador do ICB5, uma unidade de pesquisa, ensino e extensão que a USP mantem de modo permanente, desde 1997, na cidade de Monte Negro, em Rondônia. Aranha Camargo também atua como vice-coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Epidemiologia da Amazônia Ocidental (INCT-Epiamo). A proximidade do ICB5 com a região amazônica facilita a realização de expedições aos estados vizinhos. A última delas ocorreu por meio de uma parceria entre a USP e a Prefeitura de Humaitá, no Amazonas, entre os dias 5 e 12 de setembro de 2017: foi a II Expedição Humaitá. Os trabalhos tiveram coordenação do professor Aranha Camargo e foram realizados a bordo da Unidade Básica de Saúde Fluvial (UBSF) Irmã Angélica Tonetta, utilizada pela prefeitura local para atender às comunidades ribeirinhas do município. O barco saiu de Humaitá no dia 5, navegou pelo Rio Madeira e ancorou nas comunidades Bom Futuro, São Rafael e Carará para realização de atendimento médico, odontológico e de vacinação. Um outro grupo, de pesquisadores de instituições parceiras, aproveitou essas paradas para se embrenhar na floresta amazônica e montar vários tipos de armadilhas a fim de coletar mosquitos nas três localidades.

    Os pesquisadores também coletaram sanguessugas que vivem em plantas aquáticas (macrófitas) e que podem transmitir tripanossomatídeos (micro-organismos que causam doenças) entre peixes e anfíbios. Esses tripanossomatídeos são parentes daqueles que causam, em humanos, doenças como leishmaniose, doença do sono e Chagas. Os cientistas também coletaram larvas de alguns mosquitos que vivem em macrófitas e podem transmitir arboviroses; além de barbeiros e outros mosquitos da região. Os mosquitos dos gêneros flebotomíneos (que podem transmitir leishmaniose) e culicoides (também conhecidos como maruins, podem transmitir verminoses) foram encaminhados ao pesquisador Jansen Fernandes, da Fiocruz Noroeste, em Porto Velho (Rondônia) para identificação. Os outros mosquitos foram identificados ainda durante a expedição, em um dos laboratórios da UBS Fluvial. Posteriormente, todos os insetos coletados serão encaminhados ao professor Edison Luis Durigon, do ICB, em São Paulo, para sequenciamento do material genético, identificação de possíveis micro-organismos que causam doenças e replicação do DNA. Parte do DNA replicado será foco de estudos do professor Durigon sobre arbovírus. A outra parte será encaminhada ao professor Erney Felício Plessmann de Camargo, também do ICB, que vai estudar os tripanossomatídeos. (USP)

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