• Greve dos caminhoneiros atinge estradas de 22 estados, diz PRF


    Segundo o balanço da PRF, há bloqueios no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, no Paraná, em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Espírito Santo, em Minas Gerais, em Goiás, em Mato Grosso, em Mato Grosso do Sul, na Bahia, em Sergipe, em Alagoas, em Pernambuco, na Paraíba, no Rio Grande do Norte, no Tocantins, no Ceará, no Maranhão, no Pará, no Amazonas e em Rondônia.
    O Estado com maior número de interdições até esse horário é Minas Gerais, com 35, seguido do Rio Grande do Sul (33).
    Segundo a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), havia paralisações de caminhoneiros em 23 Estados.
    Além dos 22 Estados citados pela PRF, a associação aponta manifestações também em Roraima. A Abcam cita como Estados com mais bloqueios o Paraná e Minas Gerais, com 32 manifestações cada um.
    A Polícia Rodoviária Federal (PRF) contabilizava até as 15h57 interrupções em rodovias federais de 22 Estados por causa da paralisação de caminhoneiros nesta terça-feira, 22. Os caminhoneiros autônomos fazem bloqueios nas estradas desde ontem no Brasil pedindo a retirada dos encargos tributários sobre o diesel.
    Os motoristas também criticam o ajuste diário dos preços do combustível que, segundo eles, dificulta o planejamento do frete.

    Protesto de caminhoneiros para 8 unidades de carnes; mais 30 devem parar, diz ABPA

    SÃO PAULO (Reuters) - Oito unidades produtoras de carne suína e de aves do Brasil estão paradas devido a problemas decorrentes dos protestos de caminhoneiros iniciados na segunda-feira, afirmou à Reuters o vice-presidente e diretor de Mercados da Associação Brasileira da Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin.
    Segundo ele, os protestos têm impedido a chegada de ração para as criações, a retirada de carnes dos armazéns das fábricas e também a chegada de animais para abate.
    A maior parte das paralisações, que estão sendo registradas em vários Estados do Brasil, afeta as operações da indústria de aves, disse ele.
    Santin explicou que o setor sentiu tão rapidamente os impactos da greve dos caminhoneiros porque está trabalhando com elevados estoques de carnes em função de recentes embargos da União Europeia.
    De outro lado, a indústria tem trabalhado com baixos estoques de ração, devido ao alto custo do milho.
    "Todo o sistema está comprometido, não tem como girar, o cara tem que parar a planta", afirmou.
    Ele disse que as exportações de carne do Brasil, maior exportador global de carne de frango, serão impactadas negativamente pelos protestos, mas preferiu não fazer estimativas.

    Greve de caminhoneiros causa "impactos pontuais", governo monitora efeitos, diz Jungmann

    RIO DE JANEIRO (Reuters) - O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou nesta terça-feira que a greve dos caminhoneiros está gerando impactos pontuais no país e que o governo federal montou um gabinete de crise para acompanhar os desdobramentos do protesto dos motoristas, iniciado na véspera.
    Ele citou como exemplos bloqueios na entrada do porto de Suape (PE), o que está afetando a liberação de cargas de querosene de aviação (QAV).
    "Não tivemos até agora solicitação dos Estados de ajuda para o uso da força, mas estamos à disposição", disse o ministro a jornalistas na sede do BNDES.

    Paralisação de caminhoneiros continuará na 4ª-feira, redução da Cide "não resolve", diz Abcam

    SÃO PAULO (Reuters) - A paralisação dos caminhoneiros autônomos do país, iniciada na véspera, deve continuar na quarta-feira, apesar do aceno do governo nesta terça-feira sobre redução de um dos tributos que incidem sobre o preço do diesel.
    O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou em conta no Twitter que a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) será zerada com o objetivo de reduzir o preço dos combustíveis. Segundo Maia, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), e ele acertaram com o governo do presidente Michel Temer essa medida.
    Porém, o presidente da entidade que organiza o movimento dos caminhoneiros autônomos do país, Abcam, José da Fonseca Lopes, afirmou que a redução da Cide não é suficiente. Enquanto isso, um pequeno corte no preço do diesel anunciado pela Petrobras mais cedo pouco fez para reverter a posição dos caminhoneiros.
    "Isso não resolve o problema, a gente quer ser ouvido. Queremos que os tributos no óleo diesel sejam zerados. A Cide representa 1 por cento dos tributos que incidem no combustível", disse Lopes em resposta a questionamento sobre a chance de a paralisação dos caminhoneiros ser suspensa.
    A Abcam estima que cerca de 300 mil caminhoneiros tenham participado dos protestos desta terça-feira, ante 200 mil no dia anterior. A entidade representa cerca de 600 mil caminhoneiros autônomos de um total de 1 milhão de motoristas no Brasil.
    O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse que os protestos dos caminhoneiros estão gerando problemas pontuais no país, mas montadoras de veículos, incluindo General Motors, Ford e Fiat, um dos poucos setores da economia a apresentar recuperação vigorosa da crise, reportavam problemas logísticos ou paralisações de produção nesta terça.
    Segundo a Abcam, foram registrados protestos em 23 Estados.
    As manifestações também impactavam produtores de alimentos. Segundo a Associação Brasileira da Proteína Animal (ABPA), oito fábricas de carne suína e de aves do Brasil estão paradas devido a problemas decorrentes dos protestos de caminhoneiros.
    "Todo o sistema está comprometido, não tem como girar, o cara tem que parar a planta", disse o vice-presidente e diretor de mercados da ABPA, Ricardo Santin. A entidade representa mais de 140 agroindústrias e Santin estimou que outras 30 fábricas devem parar na quarta-feira.
    A Cooperativa Central Aurora Alimentos, terceira maior produtora de carnes de aves e suínos do país, disse que vai parar totalmente as atividades das indústrias de processamento de aves e suínos em Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, na quinta e sexta-feira, devido a problemas causados pela greve dos caminhoneiros.
    Na mesma linha, o presidente executivo da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Péricles Salazar, afirmou que todo o setor de animais vivos, de leite e o abastecimento em geral estão sendo muito afetados.
    Com relação aos grãos, o gerente de economia da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Daniel Amaral, disse que por ora os protestos "ainda não afetaram o embarque e o esmagamento (de soja) de maneira generalizada, mas uma fábrica no Paraná pode suspender o processamento". Ele preferiu não dizer o nome da empresa.
    "Estamos preocupados, mas ainda não houve problema para o abastecimento interno", disse Amaral. Ele ressaltou, contudo, que o fluxo do produto para os portos foi reduzido.
    A última vez que os caminhoneiros promoveram protestos em âmbito nacional foi no início de 2015, quando exigiram redução de custos com combustível, pedágios e tabelamento de fretes.
    Os protestos paralisaram dezenas de rodovias em um movimento que afetou as exportações do país. Os caminhoneiros suspenderam o movimento quando o governo aprovou a chamada Lei do Caminhoneiro, que reduziu custos em rodovias com pedágios.

    Fecombustíveis diz que zerar Cide é pouco para reduzir preço; propõe redução de PIS/Cofins

    Por Roberto Samora
    SÃO PAULO (Reuters) - A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), que representa mais de 40 mil postos no Brasil, avalia que a decisão do governo de zerar a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) é insuficiente para reduzir os preços dos derivados de petróleo e propõe que sejam reduzidas também cobranças de PIS/Cofins nesses produtos.
    Na avaliação da Fecombustíveis, a redução do PIS/Cofins, além da Cide zerada, seria uma forma de efetivamente reduzir os preços dos combustíveis, em meio a protestos por redução de tributos realizados por caminhoneiros em rodovias no país que estão afetando o transporte em mais de 20 Estados, com severo impacto ao setor agropecuário.
    "Não resolve apenas zerar a Cide", disse o presidente da Fecombustíveis, Paulo Miranda Soares, em entrevista à Reuters, ao comentar a decisão do governo federal.
    "Se tirar somente a Cide, ela é insignificante, hoje ela representa 10 centavos por litro de gasolina e 5 centavos por litro de diesel", comentou ele.
    O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, anunciou na noite desta terça-feira que o governo do presidente Michel Temer fechou um acordo com a cúpula do Congresso para usar os recursos obtidos com a reoneração da folha de pagamento de alguns setores para zerar a Cide sobre o óleo diesel.
    "Se tirar 10 centavos, o consumidor não vai nem notar", disse Soares, que revelou que terá uma reunião com o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, na quarta-feira, para apresentar sua proposta.
    Soares disse que o setor está propondo que os valores do PIS/Cofins voltem ao que eram antes de uma forte elevação em meados do ano passado. Naquela oportunidade, em busca de melhorar suas contas, o governo subiu de 0,3816 real para 0,7925 real/litro o tributo sobre a gasolina e de 0,2480 real para 0,4615 real a taxa sobre o litro do diesel.
    As reduções no PIS/Cofins e da Cide ainda teriam efeito sobre o ICMS, imposto estadual cobrado sobre o valor dos produtos antes dos postos, com uma redução adicional no valor dos combustíveis, afirmou o dirigente da Fecombustíveis.
    "Aí os preços retornariam aos patamares do ano passado, seria uma redução mais expressiva, e acho que o governo não teria prejuízo", comentou ele, citando uma menor arrecadação com impostos.
    Soares disse que vai propor ainda que o governo convença a Petrobras de que os reajustes de preços de combustíveis sejam feitos quinzenalmente, e não diariamente, como vem ocorrendo desde meados do ano passado, quando a estatal mudou sua política para tentar recuperar mercado perdido para importadores.
    Contudo, Soares disse que a política da Petrobras, de seguir as variações internacionais de petróleo e o câmbio, está correta.
    "Não somos contrários à política de precificação, mas entendemos que a Petrobras não precisaria mexer diariamente", disse ele, afirmando que entende a reivindicação dos motoristas de caminhão, que contratam o frete a um valor e depois se deparam com um diesel mais caro, na esteira dos preços do petróleo, perto dos maiores patamares desde 2014.
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