• "Brasil precisa aprender a abrir mercados externos para ser mais comercial” diz Assocon

    Até 2022, a meta é conquistar a fatia de 10% do mercado mundial do agronegócio, estimado hoje em US$ 1 trilhão e 460 bilhões, o que representa o incremento de US$ 146 bilhões para a balança comercial brasileira. As informações foram divulgadas durante a instalação da Comissão de Especialistas de Estratégias do Agro, liderada por Odilson Ribeiro e Silva, secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), na última quarta-feira (13).
    O planejamento estratégico da ampliação e abertura de mercados para o agronegócio foi estabelecido na portaria 1564 do Ministério da Agricultura publicada no Diário Oficial da União em junho de 2017. A Secretaria de Relações Internacionais apresentou a primeira versão do documento com as listas de produtos, séries históricas, projeções de exportação e oportunidades de mercado.
    No entanto, o Brasil ainda precisa fazer uma lição de casa para alcançar holofotes mais intensos no agronegócio exterior. “O mercado internacional é muito comercializador, e o Brasil não é um vendedor de carne alto padrão, mas de commodity. Então é preciso ter um cunho mais comercial, abrir mais as relações para que não fique tão suscetível à abertura de portas por meio de outros países, como os EUA”, pontua o presidente do Conselho de Administração da Associação Nacional da Pecuária Intensiva (Assocon), Alberto Pessina.
    Ele explica que os EUA é um país bem mais comercial e vão ter uma necessidade de carne mais barata, e por isso eles estão “deixando” o Brasil se aproximar. Mas, a qualquer momento, pode haver barreiras – como já aconteceu. O país norte-americano suspendeu a importação de carne bovina fresca brasileira há um ano, sendo que o Brasil só havia conseguido autorização para exportar o produto para lá no fim de julho de 2016, após 17 anos de negociações.
    Estamos na maior parte do mercado em razão de termos dois atrativos: preço e volume. O produto verde e amarelo só não entra ainda com propriedade em países elitizados, que preferem os produtos top de linha. Para virar este jogo a favor do Brasil, a Assocon trabalha em conjunto com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Associação Brasileira de Angus (ABA), Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) e Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), com apoio de duas instituições de reconhecida competência: Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), representada pelo professor Sérgio Pflanzer, e Universidade de São Paulo (USP), com a professora Angélica Pereira.
    O objetivo é a criação de um novo sistema nacional de classificação e tipificação de carcaças bovinas para criar um padrão único e auditável para essa classificação nas diversas unidades frigoríficas do País. “A partir dessa informação confiável, teremos condições de conhecer melhor o perfil da carcaça produzida no Brasil e traçar caminhos para melhorar a produção de carne bovina como um todo”, explica Alberto Pessina. A proposta é que o sistema tenha gestão compartilhada entre o produtor e a indústria.
    A proposta prevê a adesão voluntária dos frigoríficos ao sistema, porém, uma vez aderidos, os frigoríficos participantes deverão submeter à classificação 100% do abate. Além disso, a adesão ao novo sistema de classificação e tipificação de carcaças bovinas será pré-requisito para a normatização dos termos relacionados aos atributos de qualidade utilizados na rotulagem de cortes bovinos. A iniciativa proposta pelas entidades, já aprovada pela Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Carne Bovina da CNA em última reunião realizada no início do mês de abril, está submetida à análise do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).
    Pessina reforça que o Brasil está muito bem posicionado na produção que pode crescer: está aumentando a produtividade, pode melhorar a qualidade e possui tecnologias que nossos concorrentes não usam, ou seja, que podem ser introduzidas nos outros países. “Ainda temos produtividade baixa, com somente uma raça predominante, ou seja, é possível evoluir em termos de raça também para ter outros padrões de carne”, analisa o líder da Assocon.
    O passo mais difícil na opinião de Alberto Pessina é a questão institucional. Para ele, o fato de não haver instituições fortes para representar a atividade dá um tom de desorganização na discussão sobre esses assuntos: “Precisa ter uma estratégia institucional para galgar os mercados, que são mais caros. Conquistando os EUA de forma sólida, conquistamos os outros”.
    Em resumo, pro dinheiro voltar a ser investido no Brasil, é preciso fazer a lição de casa. “Isso significa trabalhar pontos em que estamos atrasados, ou seja, resolver a previdência e melhorar as relações comerciais com o mundo, para que o País consiga pagar suas contas e também para permitir que novas tecnologias entrem e nos torne mais produtivos”, finaliza Alberto Pessina, citando ainda a necessidade de flexibilização de mão de obra, salientando que o novo presidente a ser eleito este ano precisa montar um plano de longo prazo, para que essas correções podem ser feitas. “Na realidade esse plano já existe, mas ninguém consegue cumprir e ele não será concluído em quatro anos”, conclui. (Feed & Food)
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