• La Niña fraco deve ter pouca influência sobre a safra de verão no Brasil

    Nesta sexta-feira (22), o climatologista Luiz Carlos Molion conversou com o Notícias Agrícolas para destacar as probabilidades do clima para o inverno, que iniciou oficialmente ontem (21), bem como para a próxima safra de verão brasileira.
    Ele destaca que, entre a segunda quinzena de julho até a primeira semana de agosto, há uma maior chance de entrada de massa de ar polar, o que pode derrubar as temperaturas até o Mato Grosso do Sul e as serras de Minas Gerais. Desta forma, a cultura do café poderia se ver afetada por geadas, assim como a pecuária de corte e leiteira.
    Molion lembra ainda que há alguns cultivos, como frutas como banana e mamão, que "não precisam necessariamente de uma geada muito forte" para sofrer danos, o que torna a situação um importante ponto de atenção.
    Quanto à movimentação climática, ele salienta que a atmosfera possui um atraso na resposta, de forma que as águas estão neutras na região Niño 3.4, mas que ainda se encontram frias na região 3, que é a que mais afeta o clima brasileiro. Então, mesmo que as águas estejam nessa neutralidade, ainda persistem as condições de La Niña para a atmosfera - e a La Niña produz invernos com frequência de geada mais elevada.
    As águas devem voltar a ficar ligeiramente mais frias a partir de setembro e permanecerem assim até março e abril do próximo ano, quando voltariam a se aquecer e trariam um novo El Niño, mais fraco, que não afetaria os cultivos do Centro-Oeste. Sendo assim, a safra de verão ocorreria dentro de um La Niña fraco.
    O climatologista ainda respondeu a perguntas dos internautas.

    Nos Estados Undos a safra avança com clima "excepcional" (AGResources)

    As previsões climáticas atualizadas nesta sexta traz a reafirmação do padrão benéfico estabelecido sobre o Cinturão Agrícola americano, até o dia 30 de junho, com chuvas regulares e temperaturas um pouco mais frias do que o normal. 
    No entanto, uma massa de ar quente de alta pressão volta a se desenvolver no último dia deste mês e começo de julho. Caso confirmado, as projeções se tornarão mais escassas para as chuvas e com temperaturas mais elevadas. A posição desta massa de ar ainda é incerta e diverge entre os variados modelos climáticos.
    A ARC lembra que até o momento, apesar de problemas no começo do plantio nos EUA com um inverno que se estendeu, o cenário geral para o desenvolvimento da safra tem sido excepicional. Um problema climático só trará prejuízos se for de alta intensidade e duradouro no Cinturão.

    Tamanho da safra de cana do Brasil é incerto por chuvas irregulares em SP

    Por Marcelo Teixeira
    SÃO PAULO (Reuters) - Agentes do mercado de açúcar no Brasil estão discordando amplamente sobre o tamanho da safra de cana-de-açúcar 2018/19 no centro-sul, maior região produtora do mundo, já que o tempo errático dificulta as avaliações sobre como será encerrada a temporada.
    A previsão para a safra do centro-sul tem sido uma das polêmicas do mercado global de açúcar, depois de recentes revisões, que diminuíram a colheita em decorrência do nível de chuvas abaixo da média em importantes áreas, como o Estados de São Paulo.
    Enquanto alguns participantes do mercado acreditam que a safra poderia diminuir ainda mais, outros veem uma tendência de recuperação, principalmente nas plantações de cana fora de São Paulo, que poderia evitar maiores cortes no volume geral produzido no centro-sul.
    Estimativas para a moagem de cana variam em mais de 32 milhões de toneladas, da maior para a menor estimativa.
    "Nós tivemos um tempo mais seco que o normal em São Paulo nos últimos meses, de fato. Mas (o tempo) foi normal no Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, por exemplo, então é difícil adivinhar (o tamanho final da safra)", disse à Reuters Rui Chammas, presidente-executivo da Biosev, controlada pela trading Louis Dreyfus.
    A Copersucar, que vende açúcar e etanol de 35 usinas associadas no centro-sul, projetou nesta semana produção de cana da região em 555 milhões de toneladas, a menor estimativa até o momento, acrescentando que pode fazer uma nova avaliação no fim deste mês.
    O Estado do Paraná, que deve produzir 37 milhões de toneladas de cana, tem contado com um tempo melhor recentemente.
    "Nós tivemos boas chuvas na semana passada, elas melhorarão as condições para a cana a ser colhida mais tarde na temporada", disse Miguel Rubens Tranin, dirigente do grupo industrial local Alcopar, à Reuters.
    Fabio Meneghin, analista chefe de açúcar e etanol da Agroconsult, disse que a consultoria está mantendo sua estimativa em 570 milhões de toneladas por enquanto.
    "Nós sabemos que há perdas, mas algumas previsões parecem um pouco drásticas."
    Não está claro se outras regiões poderiam compensar as perdas em São Paulo.
    "A situação em algumas áreas, como no norte de São Paulo, é crítico. Eu não lembro de ver um seca tão prolongada", disse Vitor Campanelli, um grande produtor de cana e fornecedor do grupo francês Tereos no Brasil.
    O Agriculture Weather Dashboard, do terminal Eikon da Thomson Reuters, não mostra chuvas na maior parte do Estado de São Paulo até dia 7 de julho.

    Por: Aleksander Horta e Izadora Pimenta
    Fonte: Notícias Agrícolas/Reuters


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